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SEMANA DE ORAÇÃO

A parábola da unidade Marcelo Barros, monge beneditino
Adital - A busca da unidade entre as Igrejas cristãs é, além de uma obediência ao desejo de Jesus Cristo, uma parábola importante para a humanidade dividida. O teólogo suíço Hans Kung gosta de repetir que o mundo não poderá encontrar a paz se as religiões não viverem em permanente estado de diálogo e estas não poderão fazer isso se as próprias Igrejas cristãs não caminharem para a unidade. Por isso, o ecumenismo, ou movimento pela unidade das Igrejas interessa não apenas às próprias confissões cristãs, mas a toda a humanidade.O Dalai Lama, que no mês passado visitou o Brasil, diz que toda pessoa tem dentro de si uma semente de compaixão e tudo o que precisa é desenvolver este princípio de amorosidade e abertura ao outro. Apesar desta verdade, temos de reconhecer que cada cultura humana tende a se bastar a si mesma e é tentada a sentir o diferente como ameaça e não como enriquecimento. Como as religiões são expressões das culturas, herdam a mesma tendência de fechamento em relação ao diferente. Na origem das Igrejas cristãs, o Evangelho de Jesus Cristo pedia uma conversão que incluía uma nova abertura. Entretanto, também nas Igrejas, as divisões têm ocorrido, seja por processos culturais que se opõem, seja por conflitos de poder entre pastores e comunidades que competem entre si para saber quem manda em quem.
O atual movimento pela unidade das Igrejas não é iniciativa católica. O movimento ecumênico nasceu em 1910, no seio das Igrejas protestantes. A Igreja Católica não compreendeu e até hoje não participa oficialmente do Conselho Mundial de Igrejas que, desde 1948, reúne confissões evangélicas e orientais ortodoxas, congregando, hoje, 348 Igrejas-membros. Só em 1964, a Igreja Católica publicou um documento no qual dizia: "A divisão das Igrejas é contrária à vontade de Cristo, é um escândalo para o mundo, ao qual os cristãos pregam amor e unidade e, assim sendo, é sério obstáculo ao cumprimento da missão".
A unidade almejada não será uma fusão das diversas confissões em uma só instituição, nem também uma espécie de direção centralizada de Igrejas como existem centrais sindicais. Ao contrário, a unidade cristã é comunhão entre diferentes. Cipriano, pastor da Igreja do norte da África no século III, dizia: "A unidade abole a divisão, mas respeita as diferenças".
A unidade que deve haver entre as Igrejas se baseia na autonomia total de cada uma e no respeito à diversidade de ritos e doutrinas. Visa a unidade de espírito na diversidade e não a uniformidade de estruturas eclesiásticas. Cada vez mais as comunidades cristãs percebem que as diversidades entre as Igrejas é uma riqueza que deve ser salvaguardada, a partir de uma unidade básica de fé e da missão que consiste em servir às grandes causas da humanidade. O Conselho Mundial de Igrejas tem falado em "diversidade reconciliada".
Neste caminhar das Igrejas para a unidade desejada por Jesus Cristo, os estudiosos afirmam haver muito mais pontos que unem do que elementos que dividem as diferentes confissões. Entretanto, por motivos culturais e históricos, a unidade é um objetivo difícil a ser alcançado. Ela supõe a renovação teológica e espiritual de cada comunidade. Quando uma Igreja se fecha em um maior conservadorismo institucional, não há qualquer possibilidade de abertura ecumênica. Só abrindo-se à vida e ao diálogo com o mundo, as Igrejas aprenderão a conviver entre si e caminhar para a unidade.
Esta unidade não será alcançada só por nossas forças e capacidades. É dom de Deus. Por isso, o primeiro e principal trabalho pela unidade é a oração. As Igrejas antigas celebram a festa de Pentecostes como memória do dia em que Deus derramou seu Espírito sobre todo o universo e fecundou todas as religiões e culturas. Tanto na Igreja Católica, como em várias Igrejas evangélicas, há mais de cem anos, surgiu o costume de dedicar os dias anteriores à festa de Pentecostes a uma Semana de Oração pela Unidade das Igrejas. Um dos pioneiros desta prática, o padre Paul Couturier, nos convidava a orar "pela unidade que Deus quiser, quando e do modo que Ele quiser". Neste 2006, este evento começará no próximo domingo. Uma delegação internacional constituída por representantes de várias Igrejas escolheram como tema desta vez a palavra de Jesus: "Onde dois ou três se reunirem em meu nome, eu estarei no meio deles" (Mt 18, 20). E prepararam subsídios para encontros e celebrações a serem realizados no mundo inteiro.
Esta semana de oração pela unidade das Igrejas pode ajudar a fortalecer entre nós uma cultura de paz. Esta cultura de paz nos ajudará a superar a guerra entre Igrejas que lutam por conquistar novos adeptos como se fossem duas empresas concorrentes tentando vender seu produto. Pode também nos ajudar a unir mais a fé e a vida, assim como o espiritual e o material. Estamos todos no mesmo barco e fazemos parte da mesma família. Em 1968, participando de uma conferência entre monges cristãos e hindus, Thomas Merton, monge e escritor, declarou: "O nível mais profundo da comunicação não é a comunicação, mas a comunhão. Ela está além das palavras, dos discursos e dos conceitos. Aqui, não estamos descobrindo uma unidade nova e sim antiga. Nós já somos Um, mas imaginamos não ser. O que temos de reencontrar é nossa unidade original. O que temos de ser é o que nós somos"(1)
Nota: (1) Extemporaneous Remarks by Thomas Merton, citado por JEAN-CLAUDE BASSET, Le Dialogue Interreligieux, histoire et avenir, Paris, Ed. du Cerf, 1996, p. 122.
Escrito por Denilson Lopes às 01h14
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Escrito por Denilson Lopes às 00h33
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